As quizilas, as réplicas e tréplicas inerentes ao pathos convivial — contraparte necessária ao pathos da distância constitutivo da linguagem da poesia — nos condenam a uma atitude de análise em que o importante é nos sentirmos implicados quer nos logros, quer nas pertinências que denunciamos.

quarta-feira, 11 de março de 2009

colher os frutos da dança




dia 5 de março último comemorou-se o centenário do festejado Patativa do Assaré, dono de um lisonjeiro posto na poesia popular e, por extensão, na cultura cearense.
um pouco à deriva desses gestos retumbantes de apropriação ao mesmo tempo oportunista e enfadonha do "gênio iletrado" e um pouco abaixo da linha da nobreza, gosto de vasculhar e entrever, nesse terreno infestado de cantadores, uma classe de desníveis sumosos da língua, arquitetados por poetas “menores”, em vadiagem pela sintaxe malaprendida, geralmente dedicados à prática de fazer versos a rogo ou a troco de nada, com trejeitos levemente emprestados da tradição provençal longínqua (ambigüidade do eco), para ira ou deleite das gentes do lugar.
fico, por enquanto, com esses versos de Raimundo Lucas Bidinho, poeta de Várzea Alegre, morto em 2004, de um curioso livro ofertado em 1993. A elegância pária do sermo plebeius glosando e glissando a língua de cima:

em uma tarde ditosa
nem clara, nem nebulosa

...

me poribiram comer
na mesa alheia ou na minha

...

- Galdino, eu sou da pesada!
Minha força é oriunda

...

E vi surgir na poeira
Uma ossada extranoeira

...

Provia do meu jardim
Se transformar em roçado
Todos cabocos safado
Faziam crica de mim
Mais eu não achava ruim
Eu tinha arroz no paió
Aos sabos ia ao forró
Cuier os fruito da dança
Tombem lográ a herança
Qui herdei da minha vó

Cândido Rolim

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