As quizilas, as réplicas e tréplicas inerentes ao pathos convivial — contraparte necessária ao pathos da distância constitutivo da linguagem da poesia — nos condenam a uma atitude de análise em que o importante é nos sentirmos implicados quer nos logros, quer nas pertinências que denunciamos.

domingo, 20 de março de 2011

durável estranheza



A leitura assemelha-se a uma operação de acercamento, tateio, aproximação, insinuação criativa. Não há a leitura última ou única do texto.

Mas essa esquiva (detonada pelo esforço plástico do autor e em parte atribuível a seu repertório) não pode (ou pelo menos não deveria) ser tomada pelo autor como um triunfo, uma epigonia consagradora.

O projeto do texto furtar-se, a todo custo, a uma apreensão “rasa” pode, por outro ângulo, cair no esnobismo ou mistificação da dificuldade, esgotando-o ou plasmando-o em instituição a meio caminho de onde ele, em potência, poderia chegar ou, melhor, partir.

Não se deve esquecer que a malha do impasse textual é ainda porosa e tecida com elementos minimamente comuns a leitor e autor, a ponto de se permitir prever um horizonte de intriga onde, em tese, seria possível haver, senão a coincidência, pelo menos a mútua reinvenção, a estranheza durável.

Cândido Rolim

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