As quizilas, as réplicas e tréplicas inerentes ao pathos convivial — contraparte necessária ao pathos da distância constitutivo da linguagem da poesia — nos condenam a uma atitude de análise em que o importante é nos sentirmos implicados quer nos logros, quer nas pertinências que denunciamos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

estofo do poema


Talvez pelo fato de as atribuições serem bem mais mutáveis que o objeto atribuível (Santo Agostinho), é tão comum conceder-se um caráter puramente subjetivo à expressão poética.
Mas, bem observado, o que toca e sobressai no e do “fenômeno” poético são os incidentes plástico-semânticos de sua objetividade. Aquilo que, abstraído de algum insumo vivencial em específico, assume configuração diferenciada, intrigante, suspeita, complexa, é verdade, mas ainda uma faceta, digamos, “epidérmica” da linguagem, nem por isso menos relevante.
Nesse contexto, é de pouca ou nenhuma valia todo esse subjetivismo supersticioso e absolutista que pretendem impor ao texto, quase sempre com o fim de resgatá-lo da efemeridade.
Daí, o maior desafio que um poema nos propõe talvez não seja tanto aquele mergulho nas fontes sintomáticas, indicativas de algum recalque ou saliência cármica aproveitados pela perícia técnica do autor; enfim, esses traumas tantas vezes denunciados pelo psiquismo de contraste.

Cândido Rolim

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