As quizilas, as réplicas e tréplicas inerentes ao pathos convivial — contraparte necessária ao pathos da distância constitutivo da linguagem da poesia — nos condenam a uma atitude de análise em que o importante é nos sentirmos implicados quer nos logros, quer nas pertinências que denunciamos.

domingo, 7 de novembro de 2010

cinema catastrófico





no cinema de catástrofe, pelo menos em relação aos produtos mais conhecidas na indústria de Hollywood, a natureza das cenas, a platitude dos diálogos, tudo permanece fiel a um standard que não abala nem desarticula o horizonte de uma realidade excessivamente amena.

tem-se a idéia de que tudo sempre se aproxima de mais um rotineiro roteiro de filme de ação, em que se destaca a figura de um personagem absurdamente invulnerável, agora agitado aqui acolá por tremores de terra, meteoros, tempestades de areia ou seres devastadores, close de maquetes tombadas sob ondas fictícias de oceanos alterados, pessoas em rota de colisão com seu cotidiano, sob o encalço de automóveis desgovernados.

os personagens – notadamente a figura de um presidente ou um executivo que tem sempre as rédeas da situação – atravessam as cenas com tal indiferença e gracejo que esse realismo postiço acaba por dissolver as circunstâncias trágicas de fundo.

em resumo: nos filmes de catástrofe, esta não é seguramente a personagem principal. e, ainda, o drama, por mais terrível e incontrolável, ainda que leve a termo raças e espécies, nunca será bastante para livrar o espectador de um passeio inevitável por diálogos e situações bisonhas, melodramas e piadas tão inócuas quanto inadequadas para o pathos agonístico da trama.

Cândido Rolim

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