As quizilas, as réplicas e tréplicas inerentes ao pathos convivial — contraparte necessária ao pathos da distância constitutivo da linguagem da poesia — nos condenam a uma atitude de análise em que o importante é nos sentirmos implicados quer nos logros, quer nas pertinências que denunciamos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

para tudo na vida, uma boa imagem


no painel da traseira do ônibus, na mídia digital do consultório, no meio da revista, está ali o casal de sorridentes velhinhos num bote em forma de cisne para propaganda de pecúlio e empréstimos para aposentados. o jovem casal ilustra colchões de mola e casas geminadas. criança com um balão verde serve ao plano de saúde.

de onde saem essas imagens dotadas de uma mórbida conformação à platitude e chantagem do apelo? provavelmente de um banco de dados cuja atualização periódica se dá nem tanto em função da mobilidade de seus modelos indiferentes, mas das contorções decorrentes de uma necessidade premeditada, alheia ao quadro.

Cândido Rolim

4 comentários:

  1. Já fiz essa reflexão, Cândido, não como você, tão agudamente. É a cidade com seus apelos midiáticos a nos devorar...
    Abraço, Aíla Sampaio

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  2. coletivocurto-circuito.blogspot.com

    vale a pena.

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  3. A imagem e suas ditaduras... contra ela, amigo, acho que contra-imagens ainda mais fortes devem ser criadas! Por isso a poesia, se não tivesse outra finalidade, teria ao menos essa: viabilizar contra-imagens pelo deslocamento/desconstrução de imagens desse tipo. Abraço.
    Maciel Carneiro.

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  4. é a ditadura da imagem.rosto e sorriso perfeitos
    Também a ditadura da certeza.
    o consumo dita isso tudo.
    Ainda bem que temos signagem pra questionar isso
    Tom Gil

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