As quizilas, as réplicas e tréplicas inerentes ao pathos convivial — contraparte necessária ao pathos da distância constitutivo da linguagem da poesia — nos condenam a uma atitude de análise em que o importante é nos sentirmos implicados quer nos logros, quer nas pertinências que denunciamos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Orumuro na fita


Cineclube de Ciências Sociais exibe videopoesia produzida no LAMIA.
O Cineclube de Ciências Sociais da UECE, vinculado ao LAMIA, exibe nessa quinta-feira Às 19h, uma vídeopoesia de Cândido Rolim, Diego Medeiros e Bruno Sampaio, cuja edição foi feita no LAMIA/GPDU.


Orum/muro, um vídeo que dialoga com arte em várias linguagens e trás debate possível em diferentes campos, inclusive o da ciência: Catadores, pichadores, grafiteiros, poetas, moradores da Aldeota; todos são parte de uma dinâmica social da cidade, que trás consigo amplo espaço para discussão e diálogo.

Quem são esses atores sociais? Como interferem no cotidiano da cidade e permeiam esse cotidiano com falas, pichações, trabalho, poesias, signos? Muitas outras questões podem ser abertas a partir de uma aparentemente simples pichação em um muro da cidade.

ORUM / MURO

Quem passa em passagem por um ônibus e visualiza o que, acidentalmente, urra nas fissuras da cidade? O que significa ler, em trânsito essa esbanjadora (e raramente comedida) “literamuro” e suas manchas periféricas postadas pelos bandos urbanos?

A partir de uma simples pixatura, obra dessa uma revoada graf(v)itante, fez-se uma leitura e depois outra, e mais outras. A próxima? Qualquer uma. Por exemplo, aquela feita por Adriano, o catador dos cacos da “sensatez condominial da aldeota”, alheio aos esgalhos sígnicos extraídos do muro que, alheio ao discurso “poético” atravessa os poemas com sua fala-caco.

Compõem essa experiência-vídeo, além das ranhuras sígnicas do muro, o marulho dos ônibus em rota, todas as fuligens no ar, na respiração por onde os poemas aqui e ali exsurgem aos tropeços, solavancos da fala alada, despregada das páginas, dos tipos imóveis. Enfim, se no audiovisual existe um docudrama, podemos dizer que existe aqui um docupoema. Orum muro, uma forma palindrômica de sobressaltar-se, afetar-se.

Nota:
Orum, na linguagem ioruba, significa mais ou menos o fim, lugar sem volta, poço sem fundo... enfim.

Veja reportagem no jornal O Povo de 25 de junho de 2009, sobre o vídeo:

http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/887929.html

"e não é que bem ali

neste lado solar do mundo a esperta

mão desconhecida anônima anomalia

bem nos beiços da sensatez

condominial da aldeota

cravou no muro sagaz

ogum-seta"

Cândido Rolim

Um comentário:

  1. prezado cândido,

    como não tenho seu e-mail, aproveito o espaço para dizer que gostei muito, entre outros, deste:

    infinita luz
    faz sombra
    à luz

    toco a porção
    adiada
    de cada coisa

    forte abraço

    do ruy vasconcelos

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