As quizilas, as réplicas e tréplicas inerentes ao pathos convivial — contraparte necessária ao pathos da distância constitutivo da linguagem da poesia — nos condenam a uma atitude de análise em que o importante é nos sentirmos implicados quer nos logros, quer nas pertinências que denunciamos.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

um delírio fake do prestígio

na carona desse gesto contido na “suzuki de pobre” percebo menos uma frustração que uma personalização fantasmática que coloca o indivíduo, de certa forma, na poeira de um delírio a que estão sujeitos todos os que mentalizam os signos da distinção.
é comum, às margens do alto consumo, encontrarmos gestos a meio termo entre desdém obsessivo e escárnio em relação aos modelos postos em evidência, visto aqui como elementos indicadores de projeção (a grife).
a forma do objeto, quanto menos sua funcionalidade, é especularmente reproduzida, pirateada, reinventada a ponto de, paradoxalmente, sub-servir a um zelo fetichista de um design soberbo, cobiçável em si mesmo. simplório e opaco em suas funções essenciais, o objeto submete-se a um improviso jocoso, uma invenção ridente de si e do meio em que trafega anônimo, silencioso e invisível. ele é agora elevado à condição de produto fantasmático da marca.
de fato, um personalismo capenga, periférico, re-desenha os signos do éden socialmente cobiçável em sua lataria, onde se assentam os tipos da distinção corroída: fabulação do objeto-sonho de aquisição.
mas esse objeto, propositalmente desgarrado de sua forma útil/utilizável e investido graciosamente na ambígua função de homenagear e corroer graciosamente a rigidez sublime, quase sacra, da marca registrada, não já estaria antes dissolvido por uma saturação hipertrofiada do padrão, pela “abstração inacessível do modelo (Jean Baudrillard)”, às margens mesmas da produção e do alto consumo?

Em vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=09B72zdeHY4

Cândido Rolim

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