As quizilas, as réplicas e tréplicas inerentes ao pathos convivial — contraparte necessária ao pathos da distância constitutivo da linguagem da poesia — nos condenam a uma atitude de análise em que o importante é nos sentirmos implicados quer nos logros, quer nas pertinências que denunciamos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

hollywood, um take


entre recomendações fúteis e trejeitos submissos, a balbuciante mulher escorrega as mãos longas e alvas por trás dos músculos do herói em camiseta colada ao corpo, abstraído em uma gama de objetos votados a retroalimentar suas forças de homem que centraliza as ações.
é verdade que a tez confrangida dele denuncia uma retidão hipertrofiada de guardião de algum valor que suplanta todo o entorno – resíduos exaustos da supremacia, como se fosse insistentemente molestado por uma preocupação clássica, ecumênica, quem sabe um interesse repentino pelo mundo (liberdade, democracia, missões humanitárias, morte de um tirano, resgate do amigo da corporação...).
tudo invariavelmente seguido de um gesto em abandono: sorver uma caixa de leite, acender displicentemente um cigarro, servir um drinque, jogar a chave do carro sobre o cinzeiro ou atirar-se no sofá empunhando o controle remoto.
novamente é possível ouvir a voz da mulher, que retorna à cena. agora seu corpo, destaque para a intensa pintura das unhas e dos lábios – um relevo não desprezível da volúpia doméstica - cumpre a função de trazer o protagonista para o palco das boas intenções recompensadas, proporcionando, enfim, algo que ilustre ainda mais sua moral predominante e, de quebra, forneça um pouco de argila para compor o mito.

Cândido Rolim

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores