As quizilas, as réplicas e tréplicas inerentes ao pathos convivial — contraparte necessária ao pathos da distância constitutivo da linguagem da poesia — nos condenam a uma atitude de análise em que o importante é nos sentirmos implicados quer nos logros, quer nas pertinências que denunciamos.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Autoritas dos tipos




Sentindo-se confortável por auxiliar o sentido em sua magnífica suficiência, a linguagem verbal (incluindo aí seus intensos torneios metalingüísticos) há muito se outorga um lugar privilegiado na informação estética. Essa faculdade do discurso verbal, eleito por muitos como sítio único da compreensão, tende a tornar seus praticantes em cultores de outros dogmas: por exemplo, o de que a comunicação verbal e suas derivações semióticas abrangem e esgotam o espectro da experiência criativa.

Resulta que os emblemáticos percalços dessa trajetória (crise do verso, crise do poema, crise da arte...) decorrem de um balbucio em torno de uma desgastante performance “estilística”, quando as mensagens, prenhes de enfadonhas tibiezas humanitárias, rendem-se ao discurso de sua própria inutilidade ou à satisfação de se constituírem numa reserva canônica involuntária.

De qualquer forma, a manipulação dessas fontes reiteradas, decalcadas de discursos e arranjos que simulam uma problemática real, continua servindo a uma rotina de aperfeiçoamento de práticas “originais” ou, quando muito, aos esforços de ruptura ou de fidelidade a uma tradição que, virando o rosto às fontes alternativas de expressão, impõe sutilmente à experiência estética um distanciamento do fazer.

Cândido Rolim

2 comentários:

  1. Repetir a linguagem é não ser intérprete. Foucault já dizia. Mas a linguagem (que é bem mais do que o processo verbal) tem riquezas ainda virgens, acredito. Não vou a suas fronteiras, mas admiro quem se aventura a isso. Explodir discursos novos é fundamental. Agora há sempre o risco de do discurso novo não puxar consigo mais do que o prazer estético. Continuo esse crente/descrente na linguagem, sem solução, caro Cândido. Abraços

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  2. Maciel, a linguagem desemboca em vários impasses que não se resolvem nem se dissolvem em uma pretensão de domínio. nesse transcurso, muita coisa se frui de suas combinações sugestivas. crer e descrer na linguagem já não seria flertar com suas possibilidades plásticas sem solução? isto é muito, não? boa a questão levantada. abç
    Cândido.

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